Um dia numa UMIA na Rede de Alta Prestação: há tanta estrada para andar

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  • UMIA - Unidade de Inspeção e Apoio
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“Servimos para colaborar. Muitas vezes para cortar estradas, para garantir que ninguém entra numa zona de acidente. É um trabalho rápido, silencioso, mas decisivo”.

Ainda antes de o trânsito acordar o dia na cidade do Porto, já o turno de Emanuel Cardoso começou. O relógio marca o início de mais oito horas na estrada. Equipado com o Vestuário de Proteção, entra na viatura e prepara-se para mais um dia numa UMIA - Unidade de Inspeção e Apoio ao serviço na Rede de Alta Prestação da Infraestruturas de Portugal.

Há 11 anos que faz este trabalho, mas as estradas fazem parte da sua vida desde o dia em que nasceu. A herança não foi apenas profissional, foi também uma forma de olhar para o território e para quem o percorre: “O meu pai trabalhou na Junta Autónoma das Estradas (JAE) e reformou-se como funcionário da Infraestruturas de Portugal. Sempre ouvi falar de estradas, sempre aprendi como se deve conduzir numa estrada, os cuidados a ter, o respeito pelos outros condutores, o civismo, e é aqui que passo os meus dias”, conta.

A operação de hoje faz-se para Sul da invicta, outros dias há que se viaja para Norte, é assim que as equipas estão articuladas. Cada patrulha cobre dezenas de quilómetros, pronta a responder a ocorrências, apoiar autoridades, sinalizar perigos ou cortar estradas sempre que a segurança o exige. Embora a UMIA não seja um veículo prioritário e não tendo o estatuto de emergência, a sua função é essencial: colaborar, proteger, garantir condições de segurança até que a situação de auxílio esteja resolvida.

“Servimos para colaborar. Muitas vezes para cortar estradas, para garantir que ninguém entra numa zona de acidente. É um trabalho rápido, silencioso, mas decisivo”, explica Emanuel.

Experiência e profissionalismo que marcam

Quando se liga a ignição de UMIA há sempre a certeza de que esse dia dificilmente será igual ao anterior. E há horas que ficam gravadas, umas felizes, outras difíceis de esquecer. “Quando é grave não é fácil esquecer num estalar de dedos”.

Os acidentes mais graves marcam e há situações que pesam de forma diferente. E mesmo que 11 anos de trabalho sirvam como capa de proteção, “não há como criar indiferença. Mas há profissionalismo, foco e a necessidade de continuar”, diz de forma solene.

Respeito, atenção e cuidado na estrada

Quem circula na estrada todos os dias percebe mudanças na forma de conduzir. Emanuel destaca que o ritmo e a intensidade do trânsito podem gerar stress, mas acredita que é possível tornar a condução mais segura e harmoniosa: “Mesmo quando alguém comete um erro, há espaço para compreensão. Um gesto simples, como manter a calma, dar espaço e sinalizar corretamente, faz toda a diferença. Com respeito e atenção, todos podemos contribuir para uma condução mais tranquila e segura.”

O trânsito intenso amplifica também mais acidentes. Emanuel conhece bem essa realidade. No Porto e em Lisboa, a experiência mostra que o respeito existe, mesmo onde cada minuto pode significar um novo incidente.

“É espetacular o que fazemos todos os dias, gosto muito. Há diversas solicitações, todos os dias somos necessários. E os utentes respeitam o nosso trabalho, o nosso veículo, é algo que nos faz sentir capazes de ajudar quem precisa.”

Oito horas passaram, um dia quase sem registos, apesar da chuva intensa que caía no Porto. Um dia que será esquecido por entre tantos outros de enorme tensão, mas também de humanidade. “Sim, conhecemos boas pessoas, a maioria das pessoas agradece e reconhece a nossa ajuda, mas para mim o mais importante é auxiliar quem precisa, sempre”, conclui Emanuel enquanto estaciona a sua UMIA: “Pessoal, amanhã cá estaremos. Há muita estrada para andar”.

O trabalho das nossas equipas em números

Todos os dias, as equipas das Unidades Móveis de Intervenção e Apoio percorrem a rede rodoviária de Alta Prestação para garantir condições de segurança e apoiar os utilizadores da estrada. Em 2025, o trabalho destas equipas traduz-se nos seguintes números:

  • 17 Unidades Móveis de Inspeção e Apoio (UMIA) ao serviço;
  • 1,7 milhões de km percorridos no ano;
  • 27.036 intervenções.

O que é uma UMIA?

Uma UMIA - Unidade de Inspeção e Apoio é um veículo especialmente equipado, com uma equipa treinada para atuar em situações que comprometam a segurança e a circulação na rede rodoviária. A sua função principal é intervir rapidamente em acidentes ou ocorrências, sinalizando perigos, cortando temporariamente estradas quando necessário e apoiando os utentes da via até que a situação esteja controlada.

Embora não sejam veículos prioritários de emergência, as UMIA desempenham um papel decisivo na proteção de pessoas e na manutenção da fluidez do trânsito, complementando a ação de bombeiros, polícia e outros serviços. Além de responder a incidentes, estas unidades também realizam trabalho preventivo, monitorizando estradas e colaborando na gestão de riscos, garantindo que a rede rodoviária funcione com segurança e eficiência.